CONHECIMENTO MOTOR
Entre as leituras realizadas
durante o curso de Pedagogia, uma delas, no segundo semestre, desencadeou
grandes reflexões. O tema, proposto pela interdisciplina Fundamentos da
Alfabetização, explorava o papel dos quatro tipos de conhecimento (social,
físico, lógico-matemático e motor ou procedural) na aprendizagem dos alunos.
Quando planejamos nossas
aulas, sabemos que o objetivo maior é a aprendizagem. No entanto, é preciso que
o professor reconheça que existem diferentes tipos de conhecimento a serem
trabalhados no processo de alfabetização. Observação, diálogo, compreensão e
manipulação de materiais concretos são estratégias para atingir os
conhecimentos citados, mas devem estar acompanhados de uma intenção formativa
do professor, visto que é ele que seleciona e organiza as atividades de aula. Com
base nesta intenção, tanto a leitura quanto a escrita dependem de conhecimentos
físicos e lógico-matemáticos para sua compreensão, além dos conhecimentos
sociais em função dos significados atribuídos pelo grupo.
Por outro lado, estudando
estes conhecimentos, percebi que também o motor é essencial para ser
considerado na preparação de uma aula. Com os estudos da neurociência, novas
explicações foram acrescentadas às teorias de aprendizagem e foi possível
compreender melhor o processo de alfabetização de um indivíduo. Nas palavras de
Rangel (2008, p. 34):
Na leitura e escrita
usamos o conhecimento motor, seja para ler (gravamos palavras inteiras ou parte
delas, ou mesmo partes de frases, por meio do exercício de ler), seja para
escrever (num primeiro momento precisamos pensar na forma da escrita de cada
letra. Após vários exercícios já não precisamos pensar sobre o ato motor que
estamos realizando). (RANGEL, 2008, p. 34).
Assim, todo exercício feito
acarreta uma melhoria motora. Nesta questão, ao propor jogos e atividades que
exercitem a grafia e a movimentação do corpo (imitação de letras, por exemplo),
estimulamos o conhecimento motor do aluno e, quanto mais o utilizamos, mais
automatizado ele fica. Cabe aqui, então, um alerta para que o professor saiba
oportunizar situações motoras que sejam significativas para o aluno, principalmente
porque somente o interesse do mesmo fará com que o exercício seja continuado.
REFERÊNCIAS:
RANGEL, Annamaria Píffero. Alfabetizar aos seis anos. Porto
Alegre: Editora Mediação, 2008.

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