sábado, 3 de novembro de 2018


CONHECIMENTO MOTOR


Entre as leituras realizadas durante o curso de Pedagogia, uma delas, no segundo semestre, desencadeou grandes reflexões. O tema, proposto pela interdisciplina Fundamentos da Alfabetização, explorava o papel dos quatro tipos de conhecimento (social, físico, lógico-matemático e motor ou procedural) na aprendizagem dos alunos.

Quando planejamos nossas aulas, sabemos que o objetivo maior é a aprendizagem. No entanto, é preciso que o professor reconheça que existem diferentes tipos de conhecimento a serem trabalhados no processo de alfabetização. Observação, diálogo, compreensão e manipulação de materiais concretos são estratégias para atingir os conhecimentos citados, mas devem estar acompanhados de uma intenção formativa do professor, visto que é ele que seleciona e organiza as atividades de aula. Com base nesta intenção, tanto a leitura quanto a escrita dependem de conhecimentos físicos e lógico-matemáticos para sua compreensão, além dos conhecimentos sociais em função dos significados atribuídos pelo grupo.

Por outro lado, estudando estes conhecimentos, percebi que também o motor é essencial para ser considerado na preparação de uma aula. Com os estudos da neurociência, novas explicações foram acrescentadas às teorias de aprendizagem e foi possível compreender melhor o processo de alfabetização de um indivíduo. Nas palavras de Rangel (2008, p. 34):

Na leitura e escrita usamos o conhecimento motor, seja para ler (gravamos palavras inteiras ou parte delas, ou mesmo partes de frases, por meio do exercício de ler), seja para escrever (num primeiro momento precisamos pensar na forma da escrita de cada letra. Após vários exercícios já não precisamos pensar sobre o ato motor que estamos realizando). (RANGEL, 2008, p. 34).


Assim, todo exercício feito acarreta uma melhoria motora. Nesta questão, ao propor jogos e atividades que exercitem a grafia e a movimentação do corpo (imitação de letras, por exemplo), estimulamos o conhecimento motor do aluno e, quanto mais o utilizamos, mais automatizado ele fica. Cabe aqui, então, um alerta para que o professor saiba oportunizar situações motoras que sejam significativas para o aluno, principalmente porque somente o interesse do mesmo fará com que o exercício seja continuado.


REFERÊNCIAS:

RANGEL, Annamaria Píffero. Alfabetizar aos seis anos. Porto Alegre: Editora Mediação, 2008.

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