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quarta-feira, 5 de julho de 2017


Conselho de classe participativo é um momento de reflexão, onde professores e alunos se encontram para exporem, com um diálogo aberto, as dificuldades ou os progressos apresentados ao longo do período de avaliação. O conselho de classe, para cumprir seu real papel de análise de um processo educativo, precisa ser participativo para, a partir da opinião de todos, rever as práticas e as relações pedagógicas. Se for necessário, poderá  redimensionar o caminho, de forma coletiva e democrática.  De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997):

A relação educativa é uma relação política, por isso a questão da democracia se apresenta para a escola da mesma forma que se apresenta para a sociedade. Essa relação se define na vivência da escolaridade em sua forma mais ampla, desde a  estrutura escolar, em como a escola se insere e se relaciona com a comunidade, nas relações entre os trabalhadores da escola, na distribuição de responsabilidades e poder decisório, nas relações entre professor aluno, na relação com o conhecimento. (BRASIL, 1997,p.26).

Assim, é através das relações na escola que o ambiente social se estabelece e exige, ao mesmo tempo, encontros para alinhar as ideias e socializar as decisões. Em um debate, precisamos do coletivo para refletir como um todo, pois professores e alunos são parte de uma teia educativa e todos podem ter voz ativa para contribuir na qualificação da aprendizagem.

É importante, também, que no conselho de classe  não se reforce um debate que estimule tensões e conflitos, é sabido que este momento traz para os professores uma inquietação, devido a possibilidade de enfrentamento. Porém, para que o conselho de classe possa caminhar para seu real propósito de melhorar a qualidade da educação na escola, é preciso uma conscientização de todos os segmentos que participam deste processo, tornando-o um espaço de reflexão, onde ocorra a troca de percepções e informações sobre o desempenho do professor e do aluno, e uma busca conjunta de soluções para problemas  da sala de aula.

Neste momento de reflexão, os atores do processo precisam ter seu momento de escuta, ou seja, professores, alunos, gestores, pais, todos devem ter um espaço para falar e serem escutados, de forma que suas palavras sejam interpretadas como relatos reais do cotidiano escolar, sendo analisadas e respaldadas pelo projeto político pedagógico, documento que embasa as ações da escola.


REFERÊNCIAS:

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais, ética. Brasília: MEC/SEF, 1997, v.8.


sábado, 1 de julho de 2017

CONSELHO ESCOLAR NA ESCOLA PÚBLICA

A escola pública, em seu processo de democratização, envolve o compromisso e a participação de todos para que a escola realmente atinja os objetivos de uma educação de qualidade. Os Conselhos Escolares representam colegiados que reforçam a ideia do coletivismo e da busca de soluções que integram as demandas da comunidade onde a escola está inserida.

Então, fomentar a participação da comunidade é fundamental na composição do Conselho Escolar, valorizando qualquer tipo de participação, pois é sabido que na realidade escolar, não é uma tarefa fácil trazer para o rol de discussões os segmentos que formam a escola.

Assim, falar em conselho escolar não é só falar em um colegiado formado por pessoas que estabelecem relações interpessoais, mas sim de pessoas que realmente se envolvam com a estrutura da escola, com os recursos, nas questões de debate e organização, promovendo ações que efetivamente procurem resolver as contradições do cotidiano escolar. Conforme Veiga (1998, p. 116):

O Conselho Escolar deverá, portanto, favorecer a aproximação dos centros de decisão dos atores. Isso facilita a comunicação, pois, rompendo com as relações burocráticas e formais, permite a comunicação vertical e  também horizontal. Sob essa ótica, O conselho possibilita a delegação de responsabilidades e o envolvimento de diversos participantes. È um gerador de descentralização. E, como órgão máximo de decisão no interior da escola, procura defender uma nova visão de trabalho. (VEIGA, 1998, pág.116).


Desta forma, o espaço escolar precisa ter um Conselho Escolar com participação ativa nas propostas de construção da cidadania, superando uma organização muitas vezes restritiva e burocrática para fortalecer um projeto de educação que cumpra a sua função social que seja capaz de reconfigurar o conhecimento, estabelecendo de forma coletiva, relações pedagógicas transformadoras.

REFERÊNCIAS:

VEIGA, Z. de  P. A. As instâncias colegiadas da escola. In: VEIGA, I. P. A.; RESENDE, L. M. G. de. (orgs.). Escola: espaço do projeto político-pedagógico. Campinas, SP: Papirus, 1998. 


sábado, 24 de junho de 2017


Uma escola organizada é indispensável para promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. Implica no compromisso com todos os segmentos envolvidos na vida escolar, fazendo parte de um trabalho compartilhado. Pensar um projeto político pedagógico significa pensar que tipo de qualidade de ensino, concepção de cidadão e de sociedade se pretende construir.

A organização deste documento vem a partir de um processo de mudança, da antecipação do futuro, que prevê uma nova organização que irá ressignificar e sistematizar o dia a dia da escola, alicerçando o trabalho que é realizado em todos os ambientes escolares, dando voz e vez a todos os segmentos.

A escola, como ambiente educativo, deixou de ser um espaço isolado do mundo, pois nos dias atuais, ela revela uma dimensão política onde ações pedagógicas são construídas coletivamente, tanto na sala de aula, como fora dela, no seu entorno, por intermédio de um projeto político pedagógico autônomo e democrático. Nas palavras de Martins (1998):

A escola caracteriza-se como a institucionalização das mediações reais, para que a intencionalidade possa tornar-se efetiva, concreta histórica, a fim de que os objetivos intencionalizados não fiquem apenas no plano ideal, mas ganhem forma real. A escola é lugar de entrecruzamento do projeto coletivo da sociedade com os projetos existenciais de alunos e professores. É ela que torna educacionais as ações pedagógicas, à proporção que as impregna com as finalidades políticas da cidadania. (MARTINS, 1998, p.55)

Nesta perspectiva, reflete-se sobre uma escola maior, que não cabe em uma escola tradicional. Uma escola que requer um plano de trabalho democrático, que balize a qualidade da educação e a valorização da autonomia dos indivíduos envolvidos neste processo, que agregue força e pluralidade e que se adeque a realidade cultural do meio onde a escola está inserida.

Desta forma, o projeto político pedagógico precisa ser construído com a participação de todos para buscar uma ação organizada e transformadora, formando a base para se construir uma renovação das relações cotidianas de trabalho, que de forma coletiva, garantam o direito à educação, base para o exercício da cidadania.

REFERÊNCIAS:


MARTINS, Rosilda Baron. Educação para a cidadania: o projeto político-pedagógico como elemento articulador. In: VEIGA, I.P.A.; RESENDE, L.M.G. (org.). Escola: Espaço do projeto político-pedagógico. Campinas, SP: Papirus, 1998.

http://educaja.com.br/2011/01/projeto-politico-pedagogico-como-elaborar.html (Imagem)

sábado, 17 de junho de 2017

Livro Didático
O livro didático foi elaborado com múltiplos objetivos, entre eles, favorecer práticas educativas nas quais os alunos assumam uma postura reflexiva sobre a aprendizagem e a produção do conhecimento. Espera-se que os alunos possam interagir com o texto escrito, as imagens e as propostas de atividades. Nas palavras de Saviani (2007):

[...] os livros didáticos serão o instrumento adequado para a transformação da mensagem cientifica em mensagem educativa. Nota-se, ainda, que, nesse caso, o livro didático é não somente o instrumento adequado mas insubstituível, uma vez que os demais recursos não se prestam para a transmissão de um corpo de conhecimentos sistematizados como o é aquele que constitui a ciência produto (SAVIANI, 2007, p. 136).

Admitindo múltiplas formas de utilização, o professor deve ser o mediador do processo de interação entre o livro didático e o aluno. O professor tem papel fundamental para a formação leitora do aluno, o que implica em interpretar e refletir sobre o que é lido, de forma que novos horizontes sejam abertos para a leitura do mundo.

Desta forma, cabe ao professor desenvolver a melhor maneira de trabalhar com esse material, assim como o melhor momento para que este instrumento contribua de maneira eficaz para a dinâmica das aulas, com um planejamento que seja compatível com o material e que contemple os objetivos.

É importante ressaltar que, com as mudanças que acontecem hoje na sala de aula, a presença constante da tecnologia transforma o livro didático, muitas vezes, em uma ferramenta descartável. Porém, a grande proposta é escolher um material desafiador e relevante na construção da aprendizagem e que atinja seu propósito ao ser um grande apoio ao trabalho do professor, mesmo que para tanto, necessite de uma complementação pedagógica onde só o professor pode atuar.

REFERÊNCIAS:

SAVIANI, D. Educação: do senso-comum à consciência filosófica. 17 ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2007.


domingo, 11 de junho de 2017

LEITURA E ESCRITA,
NOSSO COMPROMISSO

A interação entre os sujeitos é promovida pela linguagem oral e escrita. Através da linguagem, os seres humanos se comunicam, transmitem e buscam informações, expressam seus pensamentos e sentimentos, argumentam e produzem conhecimento. Além disso, a linguagem nos dá suporte para exercermos nossa plena cidadania. Porém, para podermos  expressar nossos pensamentos,  nosso processo de alfabetização e letramento  tem que ser rico e eficaz.

A formação de leitores autônomos depende, em princípio, do ato de decifrar um texto escrito. Entretanto, embora a alfabetização seja a base para situações continuadas de aprendizagem formal e informal, a apropriação do aluno com a leitura e a escrita passa pelo convívio com textos que circulam em situações de comunicação. A capacidade de leitura e escrita envolve compreender o texto escrito que através de suas palavras atribui significado à realidade. Nas palavras de Kramer (2010):

Para tanto, é preciso estruturar o dia a dia escolar com base em atividades que são de trabalho produtivo e cooperativo e que, simultaneamente, reflete uma vontade das crianças em realiza-las, sendo feitas com prazer e interesse, pois tem para elas um sentido social, concreto e objetivo. (KRAMER, 2010, p. 104)


Então, trazer a escrita e a leitura para a responsabilidade de todos é um começo. Todas as áreas podem e devem contribuir para o aprimoramento dessas competências. Isso permite ampliar a diversidade de textos e cria situações em que os alunos podem interagir com seu objeto de aprendizagem de forma a trazê-lo mais perto de sua realidade.

Desta forma, as atividades de leitura usadas para que se solidifique a aprendizagem e se estabeleça o prazer de ler e escrever precisam ser propostas que favoreçam a interação do leitor com o texto, se estabelecendo um diálogo com o que foi lido.

Portanto, propiciar ao aluno o acesso a diferentes gêneros precisa fazer parte do cotidiano da sala de aula, através de formatos diferenciados como revistas, livros, vídeos, jornais, cartazes, computador etc. Não é somente na escola que os alunos têm contato com diferentes formas de comunicação, mas é nela que precisa haver um espaço privilegiado para a formação do leitor, essencial para práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita.

REFERÊNCIAS:

KRAMER, Sonia. Alfabetização, leitura e escrita: formação de professores em cursoSão Paulo: Ática, 2010.

domingo, 4 de junho de 2017


Gestão Curricular 
na escola pública

A construção do currículo precisa ser alicerçada pelo conhecimento. A consciência de onde queremos chegar se dá somente através do diálogo, que favorece a reflexão sobre os conteúdos e as metodologias.

A partir de uma reflexão coletiva, existe uma possibilidade concreta para que os currículos educacionais ganhem continuamente criticidade e qualidade com mais força, dando oportunidades reais para a reeducação do coletivo que faz a educação e a escola. O currículo se interliga aos saberes dos protagonistas que agem e interagem no processo da educação. Nas palavras de Freire (1996):

O saber dá impossibilidade de desunir o ensino dos conteúdos da formação ética dos educandos. De separar prática de teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor, de respeito aos alunos, ensinar de aprender. Nenhum destes termos pode ser mecanicistamente separado, um do outro. (FREIRE,1996, p.37)

Desta forma, a reestruturação do currículo passa pelo senso comum da educação, onde os educadores e educandos têm seus espaços respeitados, exercendo seu direito de opinar por serem aqueles que fazem o processo educativo no seu dia a dia. Toda esta prática se concretiza quando o exercício de ouvir o outro se faz presente na elaboração de um currículo democrático e participativo que valoriza os conhecimentos prévios dos alunos e respeita a cultura local.

O conhecimento se solidifica através dos valores humanos praticados na escola. Problematizando as situações do cotidiano, preparamos os alunos para buscar soluções que aliem  os conteúdos com as práticas  de vida. Um currículo vivo só permanece assim, se quem o pratica se compromete a experimentá-lo, avaliá-lo e disseminá-lo na comunidade escolar. 

REFERÊNCIAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.


sábado, 27 de maio de 2017


Organizar um ambiente educacional é um desafio que envolve competências e habilidades tanto administrativas, quanto pedagógicas. Este papel cabe a gestão escolar, que tem por objetivo articular o processo administrativo da escola, que precisa caminhar junto com o pedagógico.

A gestão da escola organiza o processo educacional, construindo com a comunidade escolar, objetivos focados na instituição de ensino. Esta proposta oportuniza um processo de ensino-aprendizagem que priorize o pensar no trabalho pedagógico coletivamente. Caracteriza-se, assim, uma gestão participativa onde a comunidade escolar pode participar das decisões tomadas no âmbito escolar. Nas palavras de Libâneo (2001, p.7):

A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão, concebe a docência como trabalho interativo, aposta na construção coletiva dos objetivos e funcionamento da escola, por meio da dinâmica intersubjetiva, do diálogo, do consenso. (Libâneo, 2001, p.7)

Ações construídas coletivamente, por meio de posicionamento e de decisões claras, oportuniza a construção de objetivos possíveis de avançar, com redes de convivência motivadoras e colaborativas na construção de estratégias que possibilitem a escola cumprir seu papel social.

Uma escola que tem uma gestão articulada com todos os segmentos da comunidade escolar está em constante transformação, em busca da melhoria do ensino, trabalhando a educação como um todo. Uma educação que valorize o coletivo sem desmerecer as construções pessoais do saber.


REFERÊNCIAS:


domingo, 21 de maio de 2017

CONTINUANDO AS ETAPAS DO
PROJETO DE APRENDIZAGEM

Refletindo sobre o desenvolvimento dos Projetos de Aprendizagem, tarefa proposta pela interdisciplina  Projeto Pedagógico em Ação, as etapas que estamos percorrendo com os alunos, no meu caso, os da 3ª série do Ensino Fundamental , consolida nossos estudos de que  o trabalho com projetos oportuniza uma percepção global da realidade. Cada vez mais estas experiências pedagógicas nos instrumentalizam a contribuir com a autonomia dos alunos, acompanhando a pesquisa de informações e a sua transformação em conhecimentos significativos.

Da questão de investigação à identificação tanto das dúvidas temporárias quanto das certezas provisórias, os alunos vêm diversificando suas ações e nossa caminhada tem sido muito rica. Estamos na etapa da construção do Mapa Conceitual com as descobertas dos grupos envolvendo questões sobre saúde e higiene.


Ao mesmo tempo, com este trabalho, percebemos a escola aberta às relações sociais. Quando a criança busca elementos de sua realidade e os articula com os elementos da escola, inclui os professores nestas interações e caracteriza uma interdisciplinaridade natural e autêntica. Nas palavras de Porto; Porto (2012):

O processo e o produto do projeto propiciam as interações entre os alunos, tornando-se propriedade do grupo do grupo que dele participa e sendo incorporados às vivências da turma. Durante o desenrolar  de um projeto, a cumplicidade de propósitos entre os alunos e o professor faz com que o ambiente de trabalho se torne mais enriquecedor, pois cada um passa a contribuir com suas aptidões. (PORTO; PORTO, 2012, p. 42).

Esta cumplicidade de propósitos entre os alunos acaba surgindo espontaneamente, desde que o professor faça intervenções para manter o contexto da aprendizagem e incentive os alunos a falar sobre suas descobertas. Continuaremos, então, nesta caminhada, procurando planejar procedimentos que favoreçam a prática dos projetos como estratégia de ensino.


REFERÊNCIAS:


PORTO, Lízia; PORTO, Amélia. Ensinar ciências da natureza por meio de projetos. Belo Horizonte: Rona, 2012.

domingo, 14 de maio de 2017

       

Garantir a educação do campo é assegurar que a cultura local se fortaleça, valorizando sua história e a importância para a sociedade do povo que vive na zona rural. A escola do campo não pode ser simplesmente uma instituição localizada no campo, com características rurais, mas sim uma escola com pedagogia questionadora que leve o sujeito a pensar seu lugar no mundo, construindo junto ao aluno um processo de humanização e reafirmação autônoma  da sua função social.

 A educação do campo precisa fazer parte dos temas de debate sobre a educação. Ela não pode ser esquecida, pois forma pessoas, com ideias, sonhos e inúmeras carências que muitas vezes ficam em segundo plano. Uma escola do campo precisa promover a afirmação dos valores e da identidade do povo da região. Nas palavras de Arroyo; Caldart ; Molina (2004):

A escola pode ser um lugar privilegiado de formação, de conhecimento e cultura, valores e identidades das crianças, adolescentes, jovens e adultos. Não para fechar-lhes horizontes, mas para abri-los ao mundo desde o campo, ou desde o chão em que pisam. Desde suas vivências, sua identidade, valores e culturas, abrir-se ao que há de mais humano e avançado no mundo.  (ARROYO; CALDART; MOLINA, 2004, p. 14).

Para se estabelecer estas relações, há necessidade que se busque as especificidades, mais além do que programas e conteúdos podem chegar. Quanto mais profundo o envolvimento de educadores e educandos neste processo de ensino, mais forte a teoria e a prática poderão andar juntas, com análise das realidades, consolidando saberes necessários à identificação das lutas e organização de um povo.  No caso de uma escola camponesa, a mobilização continua viva e produtiva, pois seus protagonistas valorizam suas raízes e fazem da cultura local embasamento para combinar com as culturas paralelas que se integram na constituição da sociedade.


REFERÊNCIAS:

ARROYO, M. G.; CALDART, R. S.; MOLINA, M. C. Apresentação. In: ARROYO, M. G.; CALDART, R. S.; MOLINA, M. C. (Orgs). Por uma educação do campo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

domingo, 7 de maio de 2017

UMA REFLEXÃO
O jovem é protagonista de nossa sociedade, sendo assim é importante que este destaque seja positivo, não apenas ser citado fazendo parte de problemas estruturais na educação e na sociedade, mas sim protagonizar de forma positiva e real o seu tempo.

Compreender e ressignificar esta nova posição dos jovens que vem se desenhando nas últimas décadas perpassa pelo fortalecimento das esferas educacionais. Um campo muito fértil para a humanização da condição do jovem é na Educação de Jovens e Adultos (EJA), que acolhem no seu viés de Educação Popular a diversidade da dinâmica que se desenha  na sociedade  atual.

Atuar nas multiplicidades do EJA requer do professor uma reflexão profunda de qual será a postura frente às dificuldades de constituir um núcleo de entendimento com os estudantes.  Uma reflexão onde educador e educando encontrem um ponto de equilíbrio, com respeito a condição do outro e de todo o processo de mudança social que é necessário que se estabeleça para que a realidade da Educação de Jovens e Adultos se universalize. Nas palavras de Arroyo (2011):

A EJA somente será reconfigurada se esse olhar for revisto. Se o direito à educação ultrapassar a oferta de uma segunda oportunidade de escolarização, ou na medida em que esses milhões de jovens-adultos forem vistos para além das carências. Um novo olhar deverá ser constituído, que os reconheça como jovens e adultos em tempos e percursos de jovens e adultos. (ARROYO, 2011, p. 23)


Assim, não se trata de simplesmente preencher vagas, mas oferecer ao aluno da EJA possibilidades de se fazerem presente na luta de igualdade de direitos por uma educação de qualidade, que garanta um olhar global, deixando para traz a roupagem antiga de ser uma solução de suprir carências e defasagem de aprendizagem, ou de ajustar os alunos considerados “problemas”.

Portanto, a EJA precisa formar alunos de direitos, em uma educação pública de qualidade que os reconheça como parte das ações da esfera política e social. Ao mesmo tempo, formar também alunos de deveres, com o poder de agir pelo bem comum, de forma participativa e coletiva.

REFERÊNCIAS:

ARROYO, Miguel González. Educação de jovens-adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, Leôncio; GIOVANETTI, Maria Amélia: GOMES, Nilma Lino (Orgs.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

http://www.vejalogo.com.br/?pagina=ler_post&cod_post=596 (Imagem)

sábado, 29 de abril de 2017

AFETO E RELAÇÕES HUMANAS
O afeto precisa fazer parte da aprendizagem. Na minha experiência profissional sempre procurei construir relações de afeto com meus alunos, pois é dos laços de amizade e respeito que a segurança nas relações surge.  Se quisermos resultados melhores com nossos alunos é importante que eles se sintam seguros na aprendizagem.

Ao longo de minha experiência como estudante do PEAD, desconstruí minha visão do que é ser professora muitas vezes. A cada nova interdisciplina, novos paradigmas, novos rumos na minha prática.

Dentre as turmas que leciono, trabalho com Educação para Jovens e Adultos no turno da noite. É uma realidade muito diferente das minhas turmas  de sexto ao nono ano. As relações nem sempre são fáceis de se estabelecer, pois são turmas difíceis, formadas por alunos que já não se enquadravam nos turnos diurnos da escola, alunos com problemas de drogadição e  com muita dificuldade de compreensão.  Todo este contexto prejudicava as relações, impedindo a  construção dos vínculos que acredito serem importantes para que a aprendizagem se torne  concreta.

Na interdisciplina de Psicologia da vida adulta, trabalhamos com o texto: "Aprendizagem amorosa : transformações na convivência de aceitação do outro como legítimo outro" das autoras Dra. Luciane Magalhães Corte Real e da Dra. Jaqueline Picetti. Li o texto algumas vezes e, a partir dele, procurei ver meus alunos de outra forma. Percebi que minha atitude diante das dificuldades diárias que eu estava enfrentando com eles fazia toda a diferença.  Encontrei na aceitação do outro uma forma de poder conviver com meus alunos de uma maneira mais positiva, demonstrando a eles que eu realmente me importava com a caminhada que estávamos fazendo e que, se a fizemos juntos, com certeza teria mais resultado.

Toda esta reflexão encontra reforço no pensamento inconfundível de Freire (1996):

Na verdade, preciso descartar como falsa a separação radical entre seriedade docente e afetividade. Não é certo, sobretudo do ponto de vista democrático, que serei tão melhor professor quanto mais severo, mais frio, mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos, no trato dos objetos cognoscíveis que devo ensinar. A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. (FREIRE, 1996, p.52).

Portanto, cada dia é uma nova vivência e uma reflexão sobre nossas atitudes, onde a escola é formada por relações humanas que buscam o saber, apesar das diferenças e entraves que precisam ser superados para construir um convívio educador.


REFERÊNCIAS:


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=50944
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1881228/mod_resource/content/1/riter-aprendizagem-amorosa2.pdf

domingo, 23 de abril de 2017


EXPERIÊNCIAS COM PROJETOS DE APRENDIZAGEM

Fazer parte de um trabalho a partir de um projeto de aprendizagem  está sendo um desafio diário. Pesquisar a melhor forma de conduzir o processo com certeza nos traz uma aprendizagem diferente, que não faz parte  da minha rotina de trabalho. O desafio nos desestrutura, mas nos faz crescer, pois a busca pelo saber nos faz preencher nossas lacunas e superar nossas dificuldades.

A interdisciplina  Projeto Pedagógico em Ação , nos faz mergulhar nesta problemática, na estrutura do projeto , implantação e desenvolvimento do mesmo. Escolhi uma turma de 3ª série, após observar outras turmas da escola.  Minha escolha partiu do princípio da participação e da curiosidade, que esta turma demonstrou desde o início da proposta.

O primeiro passo do desenvolvimento do projeto nesta turma foi uma  fala inicial sobre o cuidado que devemos ter com nosso corpo, higiene , alimentação etc. Não foi direcionado nenhum questionamento, esperamos que surgissem deles as questões.

Não demorou muito para que fizessem inúmeras perguntas. As questões que surgiram espontaneamente foram escritas no quadro, Após todas as perguntas da turma serem lançadas, pedimos para que elegessem  as cinco perguntas que mais interessavam a eles, a partir daí por escolha deles os grupos foram montados, e foi dado o primeiro passo para o andamento do projeto de aprendizagem.


Esta experiência confirma que estimular o aluno a aprender é nosso papel, proporcionar a reflexão,  a troca, a ressignificação de informações, proporcionando ao aluno uma nova experiência em sala de aula, onde ele será o protagonista desta aprendizagem. Nas palavras de Hernandez (1998):

Com isso, a cultura escolar adquire a função de refazer e de renomear o mundo e de ensinar os alunos a interpretar os significados mutáveis com que os indivíduos das diferentes culturas e tempos históricos dotam a realidade de sentido. Ao mesmo tempo que lhes abre portas para compreender suas concepções e as de quem os rodeiam. (HERNANDEZ, 1998, p.28).

Assim, o mundo é um livro aberto para professores e alunos traçarem propostas de investigação, ampliando e refazendo ideias conforme novas experiências vão sendo vivenciadas. Cabe ao professor abrir estes caminhos para concretizar estes projetos de aprendizagem pois são eles que melhor oferecerão leituras significativas deste mundo.

Referências:


Imagens: Acervo EMEF Albino Dias de Melo

domingo, 16 de abril de 2017




TRABALHAR COM PROJETOS

Trabalhar com projetos dá um sentido mais amplo a nossa prática. Envolver os alunos em todas as etapas do processo de construção de um projeto traz autonomia e o envolvimento necessário para que ele se sinta incluído e parte de um  grupo com questionamentos e ideias, nos quais ele se identificará.

Dentre os tipos  de projetos que são trabalhados em nossas escolas, é importante destacar a metodologia do projeto de aprendizagem. Este projeto tem por objetivo construir novos conhecimentos, de forma significativa, reestruturando o conhecimento já existente e construindo redes de informações que esclareçam as dúvidas dos alunos, tornando-as certezas a partir de uma questão de investigação, onde se irá tecer, de forma didática e planejada, o processo de pesquisa.

É importante destacar que o conhecimento não é algo estanque, e que as informações  precisam ser  trazidas para a realidade do aluno. Segundo HERNÁNDEZ (1998):

Com isso, a cultura escolar adquire a função de refazer e de renomear o mundo e de ensinar os alunos a interpretar os significados  mutáveis com que os indivíduos das diferentes culturas e tempos históricos dotam a realidade de sentido. Ao mesmo tempo que lhes abre as portas para compreender suas concepções e as de quem os rodeiam. (HERNÁNDEZ,1998, p. 28)

Desta forma, ao trabalhar com projetos de aprendizagem asseguramos a nossos alunos a oportunidade de vivenciar  a troca de informações, culturas, ideias  ao  participar de grupos de trabalho que reproduzem nossas questões de vida, pois necessitam de posicionamento, crítica, reflexão e o empoderamento do saber.


REFERÊNCIAS:
file:///C:/Users/Windows%207/Downloads/CAP1-Transgressao-e-Mudanca-Na-Educacao-Fernando-Hernandez.pdf
http://pointdasfofurices.blogspot.com.br/2016/01/desenhos-de-criancas.html (Imagem)

sábado, 8 de abril de 2017




Reflexão Sempre ...

Os caminhos da educação perpassam pela reflexão, tanto do professor quanto do aluno. No entanto, a autonomia da condução do processo educacional é do professor, onde
a pluralidade e a diversidade das nossas salas de aula precisam ter ações criativas e experiências que multipliquem o saber.

É necessário, que o professor esteja ciente de seu papel na condução deste processo, atribuindo sentido à aprendizagem. A partir do pensamento reflexivo, acontece a pesquisa de caminhos que estimulem a construção da atitude autônoma do aluno. Segundo Alarcão(1996, p.4):

Os professores desempenham um importante papel na produção e estruturação do conhecimento pedagógico porque refletem, de uma forma situada, na e sobre a interação que se gera entre conhecimento científico (no caso, de natureza linguística) e sua aquisição pelo aluno, refletem na e sobre a interação entre a pessoa do professor e a pessoa do aluno, entre a instituição escola e a sociedade em geral. (ALARCÃO, 1996, p.4)

Assim, é na prática que o professor experimenta teorias e vivencia a pedagogia com o aluno. Sua rotina diária é um leque de situação a serem analisadas e para contribuir com o conhecimento da realidade da escola e do aluno.


Portanto, refletir é o caminho. Refletir nossa prática, nossas escolhas, como conduzimos os processos. Precisa fazer parte da rotina do professor a reflexão sobre os processos de aprendizagem, a partir de condições favoráveis para que esta atitude consciente aconteça.

Referências:


domingo, 2 de abril de 2017

Aprendizagem na Convivência

A aprendizagem se baseia no conhecer. Conhecer o outro, suas dificuldades, interagir de tal forma que a convivência se torne a fonte de troca de emoções e experiências.
A interação com o outro e com o mundo permeia as relações do aprender. Garantir que a convivência seja real e que estejamos realmente presentes em nossas  relações motivam e aprimoram os processos  da construção do conhecimento.
O espaço de convivência construído em sala de aula  deve proporcionar o equilíbrio e a liberdade nas relações, onde todos, educando e educador passam por transformações espontâneas, estreitando seus laços de afinidades. Segundo Maturana, 1993):

[…] a tarefa do educador é criar um espaço de convivência para qual se convide o outro, de modo que o outro esteja disposto a conviver conosco, por um certo tempo, espontaneamente. E nessa convivência, ambos educador e aprendiz, irão transformar-se de maneira congruente. (MATURANA, 1993, p.32)

A partir destas transformações a aprendizagem pode fugir do convencional, levar o aprendiz por caminhos não trilhados que realmente o desestabilizarão onde se efetive a real construção do novo.

Para que nossa convivência envolva os processos criativos e epistêmicos, precisamos nos despir de nosso egoísmo e competitividade para dividir com o outro o nosso saber, de  forma generosa e amorosa.

Portanto, partilhar é um caminho possível. Dividir nossos saberes e aprender com o outro fazem parte dos caminhos da aprendizagem que, se bem conduzidos, levarão professor e aluno para experiências  afetivas, cooperativas  e sociais.

Referências:

MATURANA, Humberto. Uma nova concepção de aprendizagem. Dois pontos, v.2, n.15, 1993.