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sábado, 9 de junho de 2018



Na educação, podemos seguir vários caminhos para entender como nossos alunos aprendem. Por isso é importante que sejamos conhecedores dos teóricos que estudaram a psicogênese do indivíduo, como Henri Wallon. Nas palavras de Galvão (1995, p.12):

A fecundidade das contribuições da psicologia genética de Wallon para a educação deve-se à perspectiva global pela qual enfoca o desenvolvimento infantil, mas também a atitude teórica que adota. [...] Contrário a qualquer simplificação, enfrenta a complexidade do real, procurando compreendê-la e explicá-la por uma perspectiva dinâmica, multifacetada e extremamente original. (GALVÃO, 1995, p.12)

Nos estudos de Wallon encontramos uma proposta de acompanhar o desenvolvimento intelectual do indivíduo dentro de uma cultura mais humanizada, colocando todos os elementos deste desenvolvimento no mesmo plano. Sendo assim, na teoria da psicogênese walloniana, a pessoa é vista em sua totalidade enquanto ser biológico afetivo, social e intelectual, sendo sempre parte integrante do meio em que está inserida, compondo processos de socialização.

Nesta proposta dialética, o desenvolvimento da criança acontece em sintonia com o meio, aumentando possibilidades de aprendizagens contrapondo-se às verdades absolutas que caracterizam a pedagogia tradicional.

Trazendo esta interpretação para a escola, na concepção de Wallon para o desenvolvimento da criança integrada, faz-se necessário que o processo de aprendizagem seja dialético. Desta forma, os professores oportunizarão as  condições de aprendizagem que estimulem seus alunos e que abram canais de comunicação entre eles. Com reformulações constantes, o desenvolvimento vai evoluindo nas interações da criança com seu meio, de forma contextualizada a partir das suas emoções que circulam pela escola.

REFERÊNCIAS:

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.


sábado, 12 de maio de 2018

Oralidade e ludicidade

O lúdico precisa fazer parte do desenvolvimento de todas as crianças. Na escola, principalmente na educação infantil, ele deve estar presente para auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem. O brincar na escola não é passatempo, tem sua função educacional quando o professor tem como objetivo agregar valores e intenções para que a brincadeira tenha sentido pedagógico.

A escola é um espaço de convivência e troca, então proporcionar ao aluno o brincar promove a interação e construção do conhecimento de forma alegre e natural. Quando falamos em desenvolver a oralidade na educação infantil e nos anos iniciais, o professor encontra no lúdico, uma forma de desenvolver na criança, um primeiro contato com um vocabulário mais complexo. No entanto, é sempre importante destacar a importância de respeitar o tempo do aluno que, através da mediação e estímulos, irá se desenvolver. Nas palavras de Marcondes (2000, p.38):

A linguagem deve ser vista, como o modo por excelência de agirmos no mundo, isto é de interagirmos socialmente. Ela é constitutiva, tanto da realidade, quanto de nossa compreensão dos contextos sociais que participamos. (MARCONDES, 2000, p.38).

As vivências, então, são importantes, pois a criança reproduz aquilo que vivencia e conhece. Oportunizar à criança  brincadeiras com músicas, trava línguas, entre outros, constitui uma ferramenta de desenvolvimento lúdico que  leva a criança a momentos onde a fantasia e a imaginação favorecerão a compreensão do seu mundo e de sua realidade.

A partir do domínio da linguagem, a criança começa a assimilar e reproduzir suas experiências, desenvolvendo habilidades e modos de comportamento, que serão construídos no grupo. Portanto, oferecer à criança a oportunidade de interagir e explorar o mundo em vários contextos educacionais dará a ela possibilidades de ter, no desenvolvimento da linguagem, um processo prazeroso com inserção social natural e cheio de possibilidades.

REFERÊNCIAS:

MARCONDES, Danilo. Filosofia, Linguagem e Comunicação. 3ª edição. São Paulo Cortez, 2000.


sábado, 28 de abril de 2018




PIAGET E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

A aquisição da linguagem é evidenciada em várias teorias e, entre elas, é importante destacarmos as concepções teóricas de Piaget. Sabemos que a construção de conhecimento se dá através de um processo cognitivo de aprendizagem bem como a aquisição da linguagem. Desta forma, a teoria piagetiana sugere que o desenvolvimento da inteligência está interligado com o desenvolvimento da linguagem. É preciso salientar, também, que a criança constitui sua inteligência a partir de sua interação com o mundo, com esquemas mentais que proporcionem a centrar-se na realidade. Segundo Fiorin (2008, p.22) em sua fala sobre os estudos de Piaget:

Para ele, a criança constrói o conhecimento com base na experiência com o mundo físico, isto é, a fonte do conhecimento está na ação sobre o ambiente. (...) está interação é entre a criança e o mundo. (...). Seu interesse não é pela linguagem per se, mas a linguagem como porta para a cognição. (FIORIN, 2008,P.222)

Analisando o pensamento, Piaget destaca que ele aparece antes da linguagem por ela ser apenas uma das suas formas de expressão. Desta maneira, a aquisição da linguagem está subordinada aos processos cognitivos da aprendizagem, onde possibilita que a criança invoque um fato ou objeto ausente na comunicação de conceitos.

A linguagem aparece no indivíduo a partir de um estágio do desenvolvimento cognitivo e o pensamento sofre a ação de fatores exógenos (interação social, pressão social, entre outros) sobre os processos endógenos. A teoria piagetiana sugere que o desenvolvimento da inteligência está interligado com o desenvolvimento da linguagem.

Considerando que Piaget, ao longo de seus estudos, renovou sua obra formulando uma teoria mais complexa, nos faz perceber que suas teorias podem ser vistas como formas de explicar e superar os reducionismos sociais, pois pela concepção atual, nem fatores inatos nem fatores adquiridos parecem determinar, por si só, tanto a aquisição da linguagem quanto a construção do conhecimento.


REFERÊNCIAS:

FIORIN, José Luiz. (org.). Introdução Linguística: I. Objetos Teóricos. 5ª ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008.

http://www.argomedo.cl/uncategorized/informacion-de-interes-para-nuestros-apoderados/(imagem)



sábado, 17 de março de 2018


ORALIDADE


Uma das formas de expressão da criança é a linguagem oral, onde ela desenvolve sua linguagem estimulada pela interação social com seus pares. Através da linguagem oral, a criança se comunica com o outro e expressa seus desejos. Nos processos de convivência, ela é influenciada e influencia a linguagem do grupo, diversificando suas capacidades comunicativas e ampliando sua forma de pensar.

A criança precisa ser estimulada para desenvolver sua oralidade. Quanto mais a criança relata experiências, dá recados, conta histórias, mais sua oralidade se desenvolverá de maneira significativa. De acordo com Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil :

Considerando-se que o contato com o maior número possível de situações comunicativas e expressivas resulta no desenvolvimento das capacidades linguísticas das crianças, uma das tarefas da educação infantil é ampliar, integrar e ser continente da fala das crianças em contextos comunicativos para que ela se torne competente como falante. (BRASIL, 1998, p. 134)

Inserida na Educação Infantil, a criança tem a oportunidade de interagir e explorar a comunicação como elo social. As propostas educacionais, no entanto, devem se adequar a essas necessidades de integração e favorecer as trocas como meio de aprendizagem, não só social, mas linguística. Neste processo, então, qual o papel do professor?

Na aquisição e aprimoramento da língua, o professor tem papel fundamental pois pode conduzir a criança no desenvolvimento de sua oralidade, tornando-a cada vez mais fluente, organizando práticas que favoreçam o aprimoramento de sua fala e a ampliação de seu vocabulário. É um trabalho construtivo, contínuo e cognitivo pois exige respeito à singularidade da criança.


REFERÊNCIAS:

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998, v. 3.