sábado, 13 de abril de 2019


O afeto também ensina


Desenvolver uma prática pedagógica pautada no respeito e no estabelecimento de limites é a base para construir uma relação de ensino e aprendizagem produtiva e satisfatória. Refletir sobre minha prática tem sido um dos meus objetivos ao longo do curso. Um dos pontos que destaco em minha trajetória no PEAD é ter me aprofundado nos estudos de uma aprendizagem que tem como base um processo contínuo de socialização, construção e afeto.

Várias impressões e ideias sobre a importância do afeto no desenvolvimento das relações de construção do conhecimento foram desenvolvidas por mim ao longo do curso de Pedagogia. Uma delas, em especial, está na postagem Afeto e relações humanas onde destaco minha aprendizagem a partir da conscientização da importância do afeto nas relações que construímos com nossos alunos.

Essa aprendizagem, posso dizer, foi um divisor de águas em minha prática, principalmente por marcar uma mudança de postura quanto aos aspectos sociais em minhas aulas. Minha formação e minha prática ao longo do curso cada vez mais me levaram a perceber que precisamos desenvolver práticas educativas significativas que envolvam nossos alunos e possibilite a eles e a nós professores uma troca de ideias que levem nossos alunos a pensar além da sala de aula, a pensar o mundo, a construir valores reais e positivos.
A prática bancária, sem mediação e sem considerar o aluno como um ser social e afetivo, não pode mais fazer parte de nosso cotidiano como professor. Nas palavras de Freire (1996, p.90):

É preciso, por outro lado, reinsistir em que não se pense que a prática educativa vivida com afetividade e alegria, prescinda da formação científica séria e da clareza política dos educadores ou educadoras. A prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança ou, lamentavelmente, da permanência do hoje. (FREIRE, 1996, p. 90).


No entanto, neste meu processo de mudança, encontrar a melhor forma de trabalhar a afetividade com meus alunos ainda é um desafio para mim. Tenho consciência que um ambiente de aprendizagem não é só baseado no afeto, pois o comprometimento ético e profissional precisa fazer parte dele. Precisamos saber mediar nossas intervenções, que muitas vezes são necessárias para que a aula tenha um ambiente de respeito e troca.

Portanto, acredito que o diálogo, com respeito e verdade, é o melhor caminho para que possamos fazer de nossa prática algo que faça a diferença para nossos alunos. Desta forma, é essencial que sejamos o fio condutor de relações que fortaleçam o desenvolvimento cognitivo e social de nossos alunos, estabelecendo a confiança para que possam se respeitar e respeitar o outro.

REFERÊNCIAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.


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