sábado, 31 de março de 2018



ALFABETIZAÇÃO PARA TODOS


Falando em educação, acreditamos que ela é feita ao longo da vida. No entanto, concentramos nossas atenções apenas, muitas vezes, nos primeiros anos de escolaridade das crianças, esquecendo que o acesso à educação é um direito de todos, independentemente da idade. Valorizamos, com razão, a alfabetização, mas não a priorizamos como deveríamos quando falamos de jovens e adultos que não cumpriram as etapas formais de escolarização. Conforme a Unesco, em sua Recomendação para a Aprendizagem e Educação de Adultos (2017, p. 7):

A alfabetização é um componente fundamental da aprendizagem e da educação de adultos. Ela envolve uma progressão de níveis de aprendizagem e proficiência que permite aos cidadãos participar na aprendizagem ao longo da vida e participar plenamente na comunidade, no local de trabalho e na sociedade em geral. Ela inclui a capacidade de ler e escrever, para identificar, entender, interpretar, criar, comunicar e calcular, utilizando materiais impressos e escritos, bem como a capacidade de resolver problemas em um ambiente cada vez mais tecnológico e rico em informações. (UNESCO, 2017, p. 7).

Sendo assim, aprender envolve leitura e interpretação de todas as informações que fazem parte do nosso cotidiano. Viver em sociedade exige compreensão e interação para que possamos participar das oportunidades de crescimento ao longo de nossa vida. Desta forma, não podemos privar da funcionalidade da alfabetização, os indivíduos que, por motivos quaisquer, ficaram afastados da escolaridade formal.

Portanto, a EJA, Educação de Jovens e Adultos, vem ocupar um espaço imprescindível como modalidade de Educação Básica, combatendo a exclusão e a desigualdade social ao consolidar o direito à educação para todos. Ao buscar uma educação que atenda às diversas necessidades de aprendizagem, a EJA, ao concentrar suas ações na qualificação da alfabetização, aponta caminhos para que cada um construa a sua autonomia e participe ativamente da sociedade.

REFERÊNCIAS:



sábado, 24 de março de 2018



Como construir uma escola ideal? A escola ideal é centrada na pessoa. O  aluno tem suas funções na engrenagem da escola,  mas também é um  ser pensante  que  estabelece relações e troca experiências. Aprender envolve conceitos e a busca de conhecimentos, o que precisa ser uma prática indissociável da prática social. Sendo assim, é preciso promover a ação sobre o que se aprende, valorizando o contexto do aluno e da comunidade onde esta escola está inserida. Segundo Snyders (1998, p. 13):

[...] encontrar a alegria na escola e no que ela oferece de particular, de insubstituível é um tipo de alegria que a escola é a única ou pelo menos a mais bem situada para propor: que seria uma escola que tivesse realmente a audácia de apostar tudo na satisfação da cultura elaborada, das exigências culturais mais elevadas, de uma extrema ambição cultural? (1998, p.13)

Então, como se faz tudo isso na prática? Como traduzir a cultura social nas ações pedagógicas? A proposta pode estar, então, nos profissionais da educação que fazem parte da escola, pois eles representam o elo entre o conhecimento e a ação.  A qualificação profissional precisa fazer parte da rotina do professor, pois é nela que ele encontrará a atualização necessária para a busca de maior integração com seu aluno, e de forma reflexiva encontrar a melhor forma de provocar no aluno a vontade de sempre aprender mais e valorizar a sua cultura.

Toda essa reflexão traz a resposta de que a escola tem de ser motivadora, desafiando o aluno a participar de forma ativa, desenvolvendo seu lado intelectual e emocional. Assim, professores, alunos e demais integrantes da comunidade escolar podem fechar um círculo de integração, estimulando os saberes que identificam e promovem uma educação de qualidade.


REFERÊNCIAS

SNYDERS, George. A alegria na escola. São Paulo: Manole, 1998.



sábado, 17 de março de 2018


ORALIDADE


Uma das formas de expressão da criança é a linguagem oral, onde ela desenvolve sua linguagem estimulada pela interação social com seus pares. Através da linguagem oral, a criança se comunica com o outro e expressa seus desejos. Nos processos de convivência, ela é influenciada e influencia a linguagem do grupo, diversificando suas capacidades comunicativas e ampliando sua forma de pensar.

A criança precisa ser estimulada para desenvolver sua oralidade. Quanto mais a criança relata experiências, dá recados, conta histórias, mais sua oralidade se desenvolverá de maneira significativa. De acordo com Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil :

Considerando-se que o contato com o maior número possível de situações comunicativas e expressivas resulta no desenvolvimento das capacidades linguísticas das crianças, uma das tarefas da educação infantil é ampliar, integrar e ser continente da fala das crianças em contextos comunicativos para que ela se torne competente como falante. (BRASIL, 1998, p. 134)

Inserida na Educação Infantil, a criança tem a oportunidade de interagir e explorar a comunicação como elo social. As propostas educacionais, no entanto, devem se adequar a essas necessidades de integração e favorecer as trocas como meio de aprendizagem, não só social, mas linguística. Neste processo, então, qual o papel do professor?

Na aquisição e aprimoramento da língua, o professor tem papel fundamental pois pode conduzir a criança no desenvolvimento de sua oralidade, tornando-a cada vez mais fluente, organizando práticas que favoreçam o aprimoramento de sua fala e a ampliação de seu vocabulário. É um trabalho construtivo, contínuo e cognitivo pois exige respeito à singularidade da criança.


REFERÊNCIAS:

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998, v. 3.


sábado, 10 de março de 2018




SUJEITOS DE DIREITOS

A Educação para Jovens e Adultos(EJA), é um espaço de construção onde os direitos precisam ser valorizados e   as reflexões precisam ser estimuladas. Consolidar este território da Educação como um espaço aberto para a participação de todos, sujeitos que em outros momentos de suas trajetórias muitas vezes foram ignorados pela sociedade, exige um posicionamento firme de todos os agentes deste processo de construção social. Nas palavras de Arroyo (2011, p.24):

Essa mudança de olhar sobre os jovens e adultos será uma pré-condição para sairmos de uma lógica que perdura no equacionamento da EJA. Urge ver mais alunos e ex-alunos em trajetórias escolares. Vê-los jovens-adultos em suas trajetórias humanas. (ARROYO, 2011, p.24)

É importante ofertar aos alunos da EJA a oportunidade de superar as dificuldades de uma trajetória muitas vezes truncada no ensino regular, seja por ser um aluno problema que não se encaixava no grupo, ou pelo fato de que o estudo ficou em segundo plano, por vulnerabilidade social ou necessidade de trabalho.

Desta forma, a EJA precisa ser muito mais que uma modalidade de ensino, necessita ser um espaço de discussão, com uma política pública que ressignifique a participação destes jovens em suas comunidades, ocupando seus espaços e protagonizando movimentos que impulsionem suas buscas pelo saber.

Portanto, a Educação para Jovens e Adultos não é um remédio para suprir a carência de vagas para alunos que não se encaixam em outras modalidades de ensino. Antes disso, deve ser um espaço de participação e conhecimento, que não se deixe contaminar pelo olhar negativo sobre a juventude popular.


REFERÊNCIAS:

ARROYO, M. G. Educação de jovens-adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, L.; GIOVANETTI, M. A.; GOMES, N. L. Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.


sábado, 16 de dezembro de 2017



FINALIZANDO O SEMESTRE

Chegamos ao final de mais um semestre, cheio de aprendizagens que nos desacomodaram e nos levaram a repensar nossas estratégias, nossos métodos e caminhos para  mediar a construção do conhecimento de nossos alunos.

Na etapa final, a preparação para o Workshop, com a construção da síntese reflexiva, nos deu a visão geral de nossa caminhada. Etapas vencidas, dificuldades, falta de tempo, cansaço, situações que se tornaram degraus para que nos sentíssemos capazes de fechar um ciclo com sucesso e motivação.

Cada vez mais nossas aprendizagens no PEAD nos levam pelos  caminhos da pesquisa e da experimentação, onde encontramos desafios  que  nos possibilitam repensar nossas vivências e nossas práticas. Nas palavras de Miranda (2006, p.132)

O professor reflexivo é, pois, fundamentalmente, um professor investigador, pois ele e só ele é capaz de examinar sua prática, identificar seus problemas, formular hipóteses, questionar seus valores, observar o contexto institucional e cultural ao qual pertence, participar do desenvolvimento curricular, assumir a responsabilidade por seu desenvolvimento profissional e fortalecer as ações em grupo. (Zeichner e Liston, apud Geraldi, Messias e Guerra, apud Miranda 2006, p. 132)

Portanto, cabe a nós, alunas do PEAD, colocar em prática nossas experiências no curso para contextualizar nossas aprendizagens e assim, no dia a dia da sala de aula, valorizar as trocas com nossos alunos.

REFERÊNCIAS:

MIRANDA, Marília G. de. O Professor Pesquisador e Sua Pretensão de Resolver a Relação Entre a Teoria e a Prática na Formação de Professores. In: O Papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas: Papirus, 5 ed, 2006.

http://gestaodoprojeto.com.br/site/destaques/descer-no-escorregador-e-o-que-nos-faz-subir-varias-vezes-a-mesma-escada/ (Imagem) 


sábado, 9 de dezembro de 2017


MÚLTIPLAS APRENDIZAGENS

Este semestre nos fez repensar nossos valores como pessoa e principalmente profissionais. Conviver com as diferenças em qualquer ambiente, para todos os envolvidos no processo, não é fácil. Mas nós professores temos um papel muito importante, pois nós é que vamos conduzir este processo em nossas salas de aula.

A interdisciplina de Seminário Integrador nos colocou no papel de observadoras e pesquisadoras da forma como nos relacionamos com as diferenças em nossa vida e de como trabalhamos com elas no cotidiano escolar. Ter um novo olhar no dia a dia da escola e reconhecer casos de preconceito não foi fácil, pois nos obrigou de certa forma a ver algo que antes eram invisíveis em nossas escolas.

Ao longo das atividades, através das pesquisas que realizamos, refletimos ao estudarmos as referências bibliográficas e estabelecermos certezas e dúvidas, o que foi consolidado pela interação com as práticas pedagógicas. Quanto à discriminação racial, tema tratado ao longo do semestre, há necessidade de uma atenção especial, visto que muitas vezes ela não é explícita no nosso cotidiano, exigindo uma abordagem reflexiva e humanizada de todos os envolvidos. Quando o professor oportuniza esta abordagem com seus alunos, ele será capaz de perceber distorções, ou seja, manifestações veladas ou não de discriminação ou preconceito com o outro. Conforme as politicas educacionais que reconhecem a diversidade étnico-racial (Brasil, 2006, p. 23):

Um olhar atento para a escola capta situações que configuram de modo expressivo atitudes racistas. Nesse espectro, de forma objetiva ou subjetiva, a educação apresenta preocupações que vão do material didático-pedagógico à formação de professores. (BRASIL, 2006, p.23).

Então, neste semestre, as relações estabelecidas entre as interdisciplinas oportunizadas pelas atividades do Seminário integrador confirmaram que a sala de aula, ou melhor, toda escola, é um espaço agregador de pessoas diversas, o que enriquece as relações e as possibilidades de aprendizagens multiculturais. 



REFERÊNCIAS:

BRASIL. Orientações e Ações para Educação das Relações Étnico-raciais. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: MEC, SECAD, 2006.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017


A FILOSOFIA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR

A Filosofia está presente no nosso dia a dia, não é algo meramente teórico. A partir daí, percebemos que convivemos com fundamentos filosóficos em todos os âmbitos da sociedade. Não é diferente no espaço escolar, que é um espaço rico para analisarmos e discutirmos experiências filosóficas.

Neste espaço está a peça chave para a promoção destas experiências: o Professor. Porém, para o professor exercer o seu papel neste processo de construção do saber, dos questionamentos e do prazer pela reflexão, sua formação precisa proporcionar o desenvolvimento de potencialidades para uma formação crítica e analítica das teorias educacionais. Neste contexto, a Filosofia se torna essencial na formação do professor, dando subsídios para ele se aprofundar na complexidade dos problemas educacionais.

Desta forma, compreender de forma crítica a realidade, enriquecendo a construção de uma prática reflexiva e questionadora, é uma condição fundamental do “ser professor”. Compreendendo seu papel na formação do aluno, sua função social e ética, o professor passa a conhecer a si mesmo. Nas palavras de Ghedin (2005, p.141):

Conhecer é desvendar, na intimidade do real, a intimidade de nosso próprio ser, que cresce justamente porque a nossa ignorância vai se dissipando diante das perguntas e respostas construídas por nós, enquanto sujeitos entregues ao conhecimento, como dependência da compreensão de nosso ser no mundo. [...] Ao construirmos o conhecer de um dado objeto, não é somente ele que se torna conhecido, mas essencialmente o próprio sujeito, isto é, o conhecimento de algo é também, simultaneamente, um autoconhecimento (2005, p. 141).

Diante disso, percebemos que tudo está em construção, nada está pronto. Não existe nenhum pensamento estanque sobre qualquer coisa. Precisamos sim, estar preparados para ampliar o potencial reflexivo de nossos alunos, proporcionando experiências novas para construir um novo conhecimento.

Portando, o papel da filosofia está ligada à formação do Professor, para que ele desenvolva um compromisso com a ética e com a liberdade de pensar e desenvolver suas próprias conclusões sobre a realidade. Como afirma Freire (2011, p. 34): “Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela”.

REFERÊNCIAS:

GHEDIN, Evandro. Professor reflexivo: da alienação da técnica à autonomia da crítica. In: PIMENTA, Selam Garrido; GHEDIN, Evandro (orgs). Professor reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um conceito. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 43ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2011.