sábado, 17 de dezembro de 2016


ESPAÇO E FORMA

O pensamento lógico matemático acontece gradualmente, e cada aluno tem seu tempo de aprendizagem. Para que a aprendizagem se efetive é necessário que aconteça de forma gradativa. Através de um processo de observação, o professor terá condições de respeitar a fase que a criança está, adaptando atividades e processos de construção do conhecimento.
Trabalhar com espaço e forma em Matemática nos remete ao lúdico, à manipulação de objetos, à observação e análise, ou seja, uma gama de situações que fortalece a construção dos conceitos geométricos nos alunos.
A geometria envolve medida, cálculo de área, construção de figuras etc. É importante que a criança tenha contato com o objeto, passe do estágio da observação para o contato experimental. Nesse espaço, a criança irá se apropriar do objeto, agir sobre ele, construir suas estruturas mentais, e é nessas relações que se constitui a ação matemática. Nas palavras de Smole e Diniz (2012, p.13):

Uma vez que a compreensão matemática pode ser definida como a habilidade para representar uma ideia matemática de múltiplas maneiras e fazer conexões entre as diferentes representações dessa ideia, os materiais são uma das representações que podem auxiliar na construção dessa rede de significados para cada noção matemática. (SMOLE; DINIZ, 2012, p.13)

Desta forma, por estarmos rodeados de espaço e forma, só precisamos explorá-los fazendo a criança se localizar neles, manipulando os objetos e construindo as representações de suas ideias. Assim, é fundamental trazer para o cotidiano escolar, situações que oportunizem não a constatação das figuras e espaços, mas a construção de habilidades que possibilitem a ação do aluno sobre o objeto de aprendizagem.
Portanto, é importante que os conceitos de espaço e forma sejam trabalhados com materiais concretos desde a educação infantil, pois facilitam a representação das ideias matemáticas e o entendimento dos conteúdos mais complexos de geometria nas séries finais.

REFERÊNCIAS:

SMOLE, K. S.; DINIZ, M. I. Materiais manipulativos para o ensino das Quatro Operações Básicas. São Paulo: Edições Mathema, 2012.
http://www.imagensgratis.blog.br/imagens/tangram-imagens (Imagem)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016




A HISTÓRIA DE CADA UM

Capa do disco de Almir Sater de 1992



“[...]
Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a chega
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser Feliz
[...]”





Como fala a música de Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em frente, cada um de nós compõe a sua história, que é construída ao longo da vida, com experiências boas e ruins que vivenciou, amigos e família com quem dividiu ou divide seu cotidiano, os lugares que visitou, ruas que morou, o trabalho que desenvolve, a forma como pratica a sua cidadania...

Por meio da história de vida de cada um, podemos conhecer seus valores, suas crenças, seus costumes e através deles saber suas referências culturais. Nosso país tem grande diversidade étnica e cultural, e conhecendo a história das pessoas, podemos cada vez mais valorizar e respeitar as diferenças, pois toda história tem valor.

Assim, este povo que fazemos parte, com toda a riqueza de sua cultura, é o protagonista da construção da história do país, do estado, ou município. Um povo que constrói e que pode refazer sua história, mas jamais apagar as lutas e as tradições que cultuam a natureza humana.

Portanto, todos nós produzimos história e somos capazes de transformar nossa realidade. A partir do momento que nos reconhecemos como sujeitos sociais, com autonomia de quem sabe o que quer, alicerçamos nossa democracia e constituímos um povo cidadão.


REFERÊNCIAS:

SATER, Almir;TEIXEIRA, Renato. Tocando em frente.
Em: Almir Sater. Almir Sater ao vivo. Columbia, Sony Music, 1992.Faixa 2.

https://http2.mlstatic.com/383-mcd-cd-1992-almir-sater-ao-vivo-sertanejo-D_NQ_NP_20926-MLB20200965610_112014-F.jpg (Imagem)

domingo, 4 de dezembro de 2016



EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Na sociedade atual, a ideia de sustentabilidade vem da cultura em que estamos inseridos. Mudanças de comportamento precisam vir acompanhadas de conhecimento. Conhecer nosso planeta, nossa natureza, nossas reais necessidades de consumo, podem ser a base para mudar nossa visão de mundo.

Ao mesmo tempo em que gostamos do conforto e das facilidades que a tecnologia nos traz, também devemos pensar na sobrevivência do planeta. Não é possível evitar o progresso, mas precisamos ter uma visão realista de nossas necessidades usando os recursos naturais e tecnológicos de forma inteligente, garantindo que estes recursos sejam explorados de forma coerente, com sua manutenção e a preservação de todas as formas de vida.

Na história do mundo, as atividades humanas se desenvolveram a partir dos recursos do meio ambiente, desde a descoberta do fogo à magnitude tecnológica de uma usina hidrelétrica, que transforma um recurso natural tão precioso como a água em fonte de energia. No entanto, estas fontes não são inesgotáveis, o que envolve uma conscientização no manuseio destes recursos e na construção de uma educação ambiental permanente.

Assim, pensamentos e atitudes que sejam protetoras do meio ambiente devem embasar nosso olhar na análise das situações do cotidiano, onde muitas vezes nossa intervenção pode fazer a diferença. O respeito ao ambiente que nos cerca, aos saberes de um povo, sua percepção do mundo e da natureza precisam estar pautados pela sustentabilidade.

Esta realidade deve ser trazida e discutida em sala de aula, formar pessoas conscientes dos problemas ambientais e o papel de cada um na preservação do meio ambiente precisa fazer parte dos currículos escolares, não é mais possível dizer que o problema está em outro país, ele está do nosso lado, no nosso bairro, fazendo parte de nossa realidade. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997):

O conhecimento sobre como a natureza se comporta e a vida se processa contribui para o aluno se posicionar com fundamentos acerca de questões bastante polêmicas e orientar suas ações de forma mais consciente. São exemplos dessas questões: a manipulação gênica, os desmatamentos, o acúmulo na atmosfera de produtos resultantes da combustão, o destino dado ao lixo industrial, hospitalar e doméstico, entre muitas outras. (Brasil, 1997,p. 22)


Portanto, refletir, discutir, argumentar sobre os problemas ambientais do planeta de forma dinâmica e prática, permite que o aluno se posicione diante de assuntos atuais.  É necessário, então, que se tenha acesso à informação e ao conhecimento para construir competências que farão parte das contribuições da sociedade na preservação do planeta.


REFERÊNCIAS:


BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997, v.2.

http://meioambiente.culturamix.com/projetos/vida-sustentavel (Imagem)

domingo, 27 de novembro de 2016

HISTÓRIA ALÉM DOS LIVROS
A didática é uma forma de o professor encontrar um caminho para tornar o conteúdo mais interessante, relevante e envolvente para o aluno. Na disciplina de história, muitas vezes esta tarefa é mais difícil, pois o ensino da história vai além do ambiente escolar.  O professor precisa ser o elo mediador entre o conteúdo e a construção no aluno de uma consciência histórica, ilustrada pelas vivências dos alunos, sua visão de tempo e de mundo.
No sistema tradicional de ensino, a didática tinha outro enfoque. Ela orientava o trabalho do professor de forma sistematizada e técnica. Hoje a didática pode ser uma aliada, onde o professor, com uma postura mais reflexiva, permite uma maior interação na relação com seu aluno. Por outro lado, a situação didática é diversificada, proporcionando ações conjuntas de análise, tornando o conteúdo mais dinâmico. Nas palavras de Libâneo (2002, p.6):

Essa forma de compreender o ensino é muito diferente do que simplesmente passar a matéria ao aluno. É diferente, também, de dar atividades aos alunos para que fiquem “ocupados” ou aprendam fazendo, O processo de ensino é um constante vai-e-vem entre conteúdos e problemas que são colocados e a percepção ativa e o raciocínio dos alunos. É isto que caracteriza a dinâmica da situação didática, numa perspectiva sócio-construtivista. (LIBÂNEO, 2002, p.6)

Assim, ensinar história de forma a garantir a construção do conhecimento pelo aluno vai além do livro didático, do texto informativo. O aluno precisa estabelecer relações, relacionar fatos, planejar estratégias e analisar eventos para que o entendimento histórico-cultural seja solidificado e significativo.


REFERÊNCIAS:
https://www3.fmb.unesp.br/emv/pluginfile.php/24531/mod_resource/content/1/Lib%C3%A2neo%20-%20Livro%20Didatica.pdf

domingo, 20 de novembro de 2016


Ciência e Significado

No contexto atual, as ciências da natureza precisam dar conta das múltiplas crianças que chegam as nossas escolas. Crianças cada vez mais criativas, curiosas e dispostas a explorar um mundo de significados.

Para que a ciência construa ideias cada vez mais complexas do mundo, a sala de aula precisa ser um terreno fértil de vivências e de atividades significativas que oportunizem ao aluno conhecer a si mesmo e ao mundo ao seu redor.

A partir de situações que desenvolvam a capacidade de compreensão do aluno, que perpassam pela pesquisa, investigação, observação, análise etc., o aluno será capaz de se apropriar dos significados presentes no conhecimento. Ao mesmo tempo, lançar mão de estímulos como brincadeiras que desenvolvem a criatividade e a vontade de buscar respostas, amplia a interação entre os alunos e a troca de informações se estabelece de forma espontânea.

Explorar as complexidades do mundo também vem de questionamentos simples das crianças que são estimuladas a pensar, pois muitas vezes as perguntas das crianças podem ser tão instigantes quanto as de um cientista e gerar o desequilíbrio necessário para que a aprendizagem ocorra. Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997):

O ensino de Ciências Naturais também é espaço privilegiado em que as diferentes explicações sobre o mundo, os fenômenos da natureza e as transformações produzidas pelo homem podem ser expostos e comparados. É espaço de expressão das explicações espontâneas dos alunos e daquelas oriundas de vários sistemas explicativos. (Brasil, 1997, p.22)

Desta forma,  o ensino de ciências  envolve uma postura dinâmica do professor, com  um olhar diversificado para os possíveis resultados de aprendizagem.  O conhecimento não está pronto. Ele é um caminho a ser percorrido na educação, com estratégias que promovam  a participação concreta do aluno por meio de experimentações que o levem a conhecer e respeitar os fenômenos da natureza.


REFERÊNCIAS:


BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997, v.4.

domingo, 13 de novembro de 2016

O jogo e a aprendizagem matemática

Trabalhar matemática com jogos funciona como um recurso importante, onde o professor o inclui em sua prática para auxiliar a aprendizagem do conteúdo pelos alunos, tanto na forma de exercício como na de construção de conceitos.

O jogo favorece a interação social, cooperação mútua e a partir daí pode ajudar o aluno menos participativo, que muitas vezes tem vergonha de ter dúvidas. Em grupo, os alunos trocam ideias e resolvem situações problema, potencializando assim a aprendizagem. Conforme Smole, Diniz e Cândido (2007, p. 12):

Hoje já sabemos que, associada à dimensão lúdica, está a dimensão educativa do jogo. Uma das interfaces mais promissoras dessa associação diz respeito à consideração dos erros. O jogo reduz a consequência dos erros e dos fracassos do jogador, permitindo que ele desenvolva iniciativa, autoconfiança e autonomia. No fundo, o jogo é uma atividade séria que não tem consequências frustrantes para quem joga, no sentido de ver o erro como algo definitivo ou insuperável. (SMOLE; DINIZ; CÂNDIDO, 2007, p. 12)


Desta forma, no jogo, podem-se rever os erros de forma natural durante as jogadas, estimulando-se a novas tentativas para atingir o acerto. No entanto, a interação conteúdo x jogo não pode ser feita de qualquer jeito. O jogo precisa ter um objetivo pré-estabelecido pelo professor, bem como regras e combinados a serem cumpridos pelos alunos para garantir o sucesso da atividade.

Assim, a atividade lúdica no ensino da matemática, precisa fazer parte do cotidiano do aluno, pois é interagindo, investigando, manipulando objetos e superando desafios que ele constrói significado para sua aprendizagem.


REFERÊNCIAS:

SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I.; CÂNDIDO, P. Jogos de matemática do 1º ao 5º ano. Porto Alegre: Artmed, 2007.


domingo, 6 de novembro de 2016


ORGANIZANDO O PENSAMENTO

Aprender matemática é descoberta, que deve estar acompanhada da alegria do saber. A construção dos conceitos matemáticos nas séries iniciais não pode se dar de forma mecânica. Neste processo, aluno precisa construir o significado do número, de quantidade e fazer relações de forma concreta para que a aprendizagem se efetive, sem pressões pra não tornar a matemática na vida deste aluno um “peso” que ele irá carregar em toda sua trajetória escolar.

As crianças são capazes de construir o pensamento lógico matemático de forma real, quando são desafiadas. Organizar, classificar, quantificar, seriar etc., são processos que a criança realiza intuitivamente, o qual precisam ser lapidados e direcionados  pelo professor. Ao mesmo tempo, é necessário identificar no aluno o nível de sua construção para que sua aprendizagem evolua através de atividades direcionadas como situações problema onde o aluno utiliza seu pensamento lógico.

Na interdisciplina Representação do Mundo pela Matemática, foi possível aplicar nos alunos conceitos estudados e ter a oportunidade, enquanto professor, de participar e reconhecer a construção destes conceitos nos alunos. Outra atividade que desenvolvi, usando o mesmo conteúdo, agora na interdisciplina Representação do Mundo pelas Ciências Naturais, foi para verificar o conceito de classificação.

Aluna separando por cores

A aluna com o qual realizei a atividade tem 7 anos e está na segunda série. 

Em um primeiro momento, coloquei sobre a mesa prendedores de diversos formatos e cores. Pedi que ela os organizasse da forma que quisesse. A primeira atitude da aluna foi separar pelas cores. 
Aluna formando grupos com prendedores variados





Questionei se poderia ser separado de outra forma, ela então separou por quantidade, dividindo os prendedores em grupos iguais pelo número, misturando cores e tamanhos.






Assim, oferecer ao aluno atividades de classificação é fundamental para o amplo crescimento da criança, pois estimula o desenvolvimento do pensamento lógico. Na atividade acima, foi possível desencadear a construção do conceito de critério e de como usá-lo para separar grupos (classificação). Com atividades de classificação, o aluno observa e identifica critérios para a formação de grupos, inclusão de classes, culminando na classificação hierárquica. As atividades devem estar de acordo com a faixa etária da criança e o que ela está apta a aprender no momento.